quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

O Amor Chegou Depois - Parte 03

 


— Amém... — sussurrou Ana Lúcia, a única voz a quebrar o vácuo deixado pela prece desastrosa. Ela abriu os olhos e lançou para o marido um olhar que, se fosse materializado, teria perfurado o crânio dele. — Amém, Jerônimo. Amém.

Fernando não disse nada. Apenas pegou o pão que estava em seu prato e mordeu, mastigando mecanicamente, como se fosse papelão. O olhar fixo em um ponto qualquer da toalha florida.

— Mas e aí, pai? — Vinícius insistiu, limpando a boca com as costas da mão, os olhos brilhando de curiosidade. — O Playstation 5 é bem comum, entra na partilha? Porque se o Murilo vier pra cá, ele não vai querer dividir o quarto comigo se não tiver videogame.

— Olha, meu filho — Jerônimo respondeu, servindo-se de café com a naturalidade de quem discute o clima, ignorando completamente o fato de Fernando estar se encolhendo na cadeira. — Eu acho difícil. A Cíntia é apegada aos bens materiais. Aquela lá conta até os palitos de dente. Mas não se preocupe, se o Fernandinho não conseguir trazer o videogame, a gente compra um dominó pro Murilo. Constrói caráter.

Fernando suspirou fundo, mastigando sua tristeza com margarina.

Foi então que um estrondo veio do andar de baixo. A porta lateral, que dava acesso à escada da casa, bateu com força, fazendo as xícaras tremerem levemente nos pires.

— CHEGUEI, POVO! — O grito feminino subiu pela escadaria, ecoando pelas paredes de azulejo. — Alguém faz um ovo mexido que a mãe tá on, mas tá com fome!

Ana Lúcia revirou os olhos com tanta força que quase viu o próprio cérebro.

— Sete da manhã de uma segunda-feira... — Ana Lúcia murmurou, balançando a cabeça. — E a bonita chegando da rua.

Fernando ergueu os olhos do pão pela primeira vez, a voz rouca e cansada.

— Ela ainda vive nessa vida, mãe? Achei que a Mari tinha dito que ia focar em... sei lá, ser influencer de moda?

— Influencer de copo, só se for — resmungou Vinícius, roubando o queijo do prato do irmão distraído.

Passos rápidos subiram a escada e Mariana Abreu irrompeu na cozinha como um furacão de lantejoulas e perfume adocicado. Ela vestia um top cropped prateado, uma calça jeans que parecia ter sido atacada por uma tesoura e segurava as sandálias de salto alto em uma das mãos, pisando descalça no chão frio. A maquiagem estava 90% intacta, um verdadeiro milagre da cosmética moderna, exceto por um leve borrão no delineado.

— Bom dia, família tradicional brasileira! — Mariana cantou, jogando as sandálias num canto e indo direto abraçar o pai por trás, beijando a careca dele. — Bênção, pai. O senhor tá cheiroso hoje. Vai pra onde, pra missa?

Em vez de repreendê-la pelo horário ou pelas roupas, Jerônimo derreteu-se todo, abrindo um sorriso que faltou pouco para rasgar o rosto.

— Deus te abençoe, minha princesinha. Cuidado com esse pé no chão frio, vai pegar friagem. Se divertiu muito, filha?

— O de sempre, pai. Aquele pagode no Triângulo tava fraco, aí fomos pra casa da Luiza... — Mariana parou no meio da frase. Ela tinha acabado de notar a figura curvada do outro lado da mesa.

Os olhos dela se estreitaram. Ela olhou para Fernando, depois para a mala no canto da sala, e depois para a cara de velório geral (menos a de Vinícius, que parecia estar assistindo a um reality show).

— Ué? — Ela franziu o nariz. — Nando? O que tu tá fazendo aqui a essa hora? A Cíntia te deu alvará de soltura ou você fugiu do cativeiro?

Dessa vez, ninguém tentou disfarçar. O silêncio foi a resposta. Mariana olhou para a mãe, que apenas suspirou e apontou sutilmente para o filho mais velho com a cabeça.

— Ih, mana — Vinícius se adiantou, de boca cheia. — O Nando rodou. A Cíntia pediu o divórcio.

A reação de Mariana foi instantânea e vulcânica.

— EU SABIA! — Ela gritou, batendo a mão na mesa com tanta força que o café de Jerônimo transbordou. — EU SABIA! Aquela jararaca! Aquela cobra de peruca! Eu falei, Fernando! Eu falei no dia do noivado que ela não valia o arroz que comeu na festa!

— Mariana, baixa o tom... — Ana Lúcia pediu, mas sem muita convicção.

— Baixo o tom nada, mãe! — Mariana estava vermelha, a ressaca completamente esquecida diante da adrenalina do ódio. Ela apontou um dedo de unha postiça longa para o irmão. — Fernando, você me desculpe, você é meu irmão e eu te amo, mas você foi cego! Aquela mulher nunca gostou de você, ela gostava do status de "mulher de gerente"! Agora que viu que você não vai virar o Elon Musk amanhã, pulou fora!

— Mari, por favor... — Fernando pediu, a voz sumindo, escondendo o rosto entre as mãos. — Não fala assim dela. Ela é a mãe do meu filho.

— E daí? — Mariana bufou, cruzando os braços e fazendo o top prateado reluzir. — Ser mãe do Murilo é a única qualidade dela. Porque como esposa? Cruz credo. Ela te tratava igual capacho, Fernando! "Ai, Nando, pega isso", "Ai, Nando, essa roupa é velha". Ah, vá se lascar! Se eu cruzar com ela na rua, eu arranco aquele mega hair fio por fio!

— Chega, Mariana! — Jerônimo interveio, mas num tom brando, quase concordando. — Seu irmão já está sofrendo muito. Não vamos chutar cachorro morto. Senta aí e come um pão, você deve estar com o estômago vazio.

Mariana obedeceu, sentando-se bufando ao lado de Fernando. Ela o olhou de lado, a raiva dando lugar àquela proteção feroz de irmã mais nova. Ela passou o braço pelos ombros dele e apertou.

— Tá bom, parei. — Ela disse, mais calma. — Mas ó... ela perdeu, viu? Você é gato, é trabalhador e cozinha bem. O azar é dela. E se ela vier aqui reclamar de pensão, eu solto o cachorro. E olha que a gente nem tem cachorro.

Fernando soltou um riso curto, triste, mas sincero.

— Obrigado, Mari.

— De nada. — Ela pegou o copo de café do Vinícius sem pedir e tomou um gole grande. — Agora me contem... onde ele vai dormir? Porque o quarto dele virou a confecção da Dona Ana e eu não divido meu quarto nem com o Papa.

CONTINUA...

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

O Amor Chegou Depois - Parte 02


O sol da manhã entrava sem pedir licença pela janela da cozinha, iluminando as partículas de poeira que dançavam sobre a mesa de fórmica amarela. Eram seis e meia da manhã, horário em que a Casa dos Abreu costumava estar em silêncio, exceto pelos roncos de Jerônimo no quarto ao lado.

Mas, naquela segunda-feira, o cheiro de café fresco já invadia o corredor.

Ana Lúcia entrou na cozinha amarrando o robe de seda sintética, pronta para assumir seu posto de comando diante do fogão, mas parou bruscamente. Fernando estava lá. Ele vestia a mesma camisa amassada da noite anterior, mangas dobradas até os cotovelos, passando água quente no coador de pano com uma concentração cirúrgica.

— Nando? — Ana Lúcia piscou, confusa. — O que você está fazendo em pé, menino? Eu disse que ia fazer o café.

Fernando se virou, oferecendo um sorriso fraco que não alcançava os olhos.

— Não consegui dormir muito bem, mãe. E não queria dar trabalho. A senhora já faz tanta coisa... O mínimo que eu posso fazer é passar o café.

Ana Lúcia observou o filho. Era uma injustiça o que a vida — e a Cíntia — faziam com aquele rapaz. Se tirasse os óculos que viviam escorregando pelo nariz, fizesse a barba e dormisse oito horas seguidas sem a preocupação de pagar boletos, Fernando Abreu seria a cópia escarrada do Henry Cavill. Tinha o maxilar quadrado, os ombros largos que a camisa social barata tentava esconder e um porte de galã de novela das oito. 

Mas, infelizmente, sua postura curvada e a aura de exaustão o faziam parecer apenas um Clark Kent que perdeu o último ônibus.

— Deixa disso. — Ela foi até ele, tomando o bule de sua mão com delicadeza, mas firmeza. — Sentar na mesa não é dar trabalho. Senta.

Fernando obedeceu, sentando-se e encarando a toalha de mesa florida.

— Eu preciso ir trabalhar daqui a pouco, mãe. Tenho uma reunião importante. Se eu conseguir fechar o balanço da filial de Jardim Camburi, talvez meu chefe me promova para Analista Sênior.

— Analista Sênior... — Ana Lúcia repetiu, colocando o pão de sal na cestinha, orgulhosa, embora não entendesse nada do que ele fazia. — Isso paga mais, né?

— Um pouco. Mas é a estabilidade, sabe? É a chance de crescer.

Nesse momento, um vulto desengonçado surgiu na porta. Vinícius, o caçula, entrou coçando a barriga, vestindo apenas uma samba-canção com estampa de Piu-Piu e os cabelos apontando para todas as direções cardeais. Ele bocejou, abriu um olho, viu Fernando e deu um pulo para trás, batendo o quadril na quina do armário.

— Eita (censurado)! — Vinícius gritou, esfregando o local da batida. — Que susto, maluco! Assombração a essa hora?

— Olha a boca, Vinícius! — Ana Lúcia repreendeu, batendo com a colher de pau na pia. — E vai vestir uma roupa, tenha modos! Seu irmão está tomando café.

— Ué, mas o que ele tá fazendo aqui? — Vinícius ignorou a ordem, puxando uma cadeira e se jogando nela, ainda coçando o olho remelento. Ele encarou Fernando com a curiosidade mórbida de um adolescente. — Segunda de manhã... Tu não devia tá lá na casa da madame? Foi demitido? A Cíntia te expulsou porque você esqueceu de comprar o pão integral dela?

Fernando encolheu os ombros, o rosto queimando.

— Não fui demitido, Vini. Só... estou passando uns dias aqui.

— "Uns dias"? — Vinícius pegou um pão e o rasgou com a mão. — Ih, o clima azedou? Deu ruim no paraíso?

— Vinícius, cala essa boca e come! — Ana Lúcia fuzilou o caçula com o olhar, tentando proteger o mais velho. — É assunto de adulto.

Antes que Vinícius pudesse soltar mais uma pérola, passos pesados e arrastados anunciaram a chegada do patriarca. Jerônimo entrou na cozinha já vestido com sua camisa polo de "trabalho", o cabelo penteado com gel e cheirando a loção pós barba barata.

— Bom dia, família — resmungou Jerônimo, puxando a cadeira da ponta. Ele olhou para a mesa farta, para Fernando encolhido e para Vinícius sem camisa, mas não comentou nada. — Vamos comer que o dia é curto e a luta é grande.

Todos se acomodaram. Ana Lúcia e Fernando trocaram um olhar cúmplice: a estratégia era manter a normalidade. Comer, sorrir, e deixar os problemas para depois do café.

— Vamos agradecer — disse Jerônimo, estendendo as mãos.

Fernando segurou a mão calejada do pai e a mão engordurada de manteiga de Vinícius. Ana Lúcia fechou a roda. Todos baixaram a cabeça.

— Senhor — começou Jerônimo, com a voz solene de quem discursa num palanque. — Agradecemos por esse pão de cada dia, pelo café que a Ana fez, e pela saúde dessa família.

"Amém", pensou Fernando, sentindo um leve alívio.

— E pedimos, Senhor — Jerônimo continuou, elevando o tom de voz —, que o Senhor dê muita força, mas muita força mesmo, para o meu filho Nando e para o meu netinho Murilo, para que eles consigam superar esse divórcio terrível que a cascavel da Cíntia jogou nas costas deles ontem à noite.

O silêncio que se seguiu foi absoluto.

Fernando abriu os olhos, chocado. Ana Lúcia deu um chute na canela do marido por baixo da mesa. Vinícius, que estava com um pedaço de pão na boca, engasgou-se violentamente, tossindo farelos para todo lado.

— Divórcio?! — Vinícius gritou, assim que recuperou o ar, os olhos arregalados de empolgação. — Caraca! Eu sabia! Ela te largou mesmo? Vai ter partilha de bens? A gente fica com o Playstation do Murilo?

Fernando enterrou a cabeça nas mãos. O dia estava apenas começando.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

O Amor Chegou Depois - Parte 01





O cheiro de fritura velha misturado com desinfetante de lavanda era a assinatura olfativa do Bar do Abreu nas noites de domingo. Não era um cheiro ruim; para os moradores do Bairro Esperança, era o cheiro do fim de semana terminando.

O estabelecimento não tinha o requinte dos bistrôs da Praia do Canto, mas tinha alma. As paredes ostentavam quadros do Vasco da Gama e fotos antigas de Vitória, intercaladas com calendários de borracharia que Ana Lúcia tentava, sem sucesso, esconder atrás das prateleiras de cachaça.

— Trinta, quarenta, cinquenta... — Jerônimo contava as notas de real sobre o balcão de formica gasta, o bigode franzido em concentração. — É, Ana... O movimento foi fraco hoje. Culpa desse calor. O povo prefere ficar na praia gastando com ambulante do que vir prestigiar o comércio local.

— Deixa de reclamar, Jerônimo. O freezer de sorvete esvaziou — Ana Lúcia rebateu, passando um pano úmido nas mesas de plástico vermelhas empilhadas num canto. Ela parou, colocou a mão nas costas e suspirou. — E a gente já devia ter fechado há meia hora. Minhas varizes estão gritando.

Jerônimo resmungou algo sobre "trabalho digno", mas guardou o dinheiro numa pochete de couro que parecia fazer parte de sua anatomia. Ele mancou até o interruptor, apagando o letreiro luminoso que piscava "BAR E LANCHONETE" na fachada.

— Vamos subir, velha. Amanhã é dia de...

BAM! BAM! BAM!

O som oco de punhos batendo na porta de aço enrolada ecoou pelo salão vazio. Jerônimo travou, o instinto de proteção (e a ranzinzice) ativando imediatamente.

— Tá fechado! — gritou ele, a voz rouca ecoando. — Não adianta bater! A cozinha já lavou tudo! Volta terça-feira!

— Pai... — A voz veio abafada pelo metal, trêmula e inconfundível. — Pai, abre... Sou eu. O Nando.

Ana Lúcia largou o pano de prato no mesmo instante. Os olhos do casal se encontraram. Não era normal Fernando aparecer ali àquela hora. Domingo à noite era sagrado: era o horário que Cíntia exigia que ele revisasse a agenda da semana ou ajudasse Murilo com o dever de casa.

Jerônimo bufou, mas se abaixou com dificuldade, destrancando o cadeado no chão. Com um puxão forte, ele ergueu a porta de aço até a metade.

Fernando não entrou; ele se arrastou para dentro.

Aos trinta anos, Fernando Abreu sempre fora o exemplo de postura. Camisas passadas, cabelo penteado, coluna ereta. Mas o homem que passou por baixo da porta parecia ter sido atropelado por um caminhão emocional. A camisa social estava com os botões errados, os olhos vermelhos e inchados por trás dos óculos embaçados, e ele segurava uma mochila de alça única como se fosse uma âncora.

— Meu filho? — Ana Lúcia correu até ele, segurando seu rosto com as duas mãos. — O que aconteceu? Foi assalto? Bateram o carro? Cadê o Murilo?

Fernando tentou falar, mas o choro veio antes das palavras. Um soluço feio, dolorido, daqueles que a gente segura por horas até não aguentar mais. Ele desabou numa das cadeiras de plástico que a mãe ainda não tinha empilhado.

— A Cíntia... — ele conseguiu dizer, a voz falhando. — Ela pediu o divórcio, mãe. Ela mandou eu sair de casa.

O silêncio que se instalou no Bar do Abreu foi mais pesado que a porta de ferro. Jerônimo, que ainda segurava a porta meio aberta, soltou o metal com força, fazendo um estrondo, e se virou, o rosto vermelho de indignação.

— Como é que é? — Jerônimo bradou, a veia da testa saltando. — Aquela... Aquela ingrata botou meu filho na rua num domingo à noite? Depois de tudo que você fez? Depois de você se matar de estudar pra dar uma vida boa pra ela?

— Jerônimo, cala a boca! — Ana Lúcia cortou, puxando a cabeça de Fernando para o seu ombro, onde o filho chorava como se tivesse oito anos novamente. — Não é hora de gritaria. Nando, meu amor... E o Murilo? Onde está o meu neto?

— Tá dormindo na casa do Pedro, o amiguinho da escola... — Fernando fungou, limpando o nariz na manga da camisa. — A Cíntia disse que era melhor ele não ver a gente brigando. Ela disse que eu sou um "peso morto", pai. Que ela cansou de esperar o futuro chegar.

Jerônimo parecia prestes a explodir ou pegar um taco de beisebol que guardava atrás do balcão, mas viu o estado do filho e sua postura mudou. A raiva deu lugar a uma tristeza profunda. Ele se aproximou e colocou a mão pesada no ombro do filho. Um toque desajeitado, mas firme.

— Você não é peso morto coisa nenhuma — disse Jerônimo, a voz grave. — Você é um Abreu. E Abreu não fica na rua.

Fernando levantou os olhos, a esperança frágil brilhando através das lágrimas.

— Eu não tenho pra onde ir, mãe. O aluguel da casa tá impossível, eu não tenho reserva... Eu só vim porque...

— Você não "veio", você voltou — Ana Lúcia decretou, com aquela autoridade que só as mães possuem. — E vai ficar aqui. Com a gente.

— Mas, mãe... não tem espaço — Fernando olhou para o teto, na direção do sobrado acima do bar. — Vocês transformaram meu quarto no ateliê de costura da senhora. Onde eu vou dormir? Em cima da máquina Singer?

Ana Lúcia enxugou uma lágrima do rosto do filho e sorriu, um sorriso guerreiro.

— A gente empurra a máquina, tira os manequins, joga o Patrick pro sofá se precisar... quer dizer, o Patrick nem está aqui. A gente dá um jeito. Sempre demos. Agora levanta. Jerônimo, pega a mochila dele. Vamos subir. Ninguém dorme com fome e nem sozinho nessa família.

Enquanto Jerônimo trancava o bar definitivamente naquela noite, Fernando olhou para as paredes familiares, para o cheiro de fritura e para os pais. O amor tinha acabado lá fora, na casa chique que ele tentava manter, mas ali, no Bairro Esperança, entre engradados de cerveja e mesas de plástico, ele sabia que nunca faltaria.

Mas ele mal sabia que o quarto de costura seria o menor dos seus problemas.

CONTINUA...