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sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

O Amor Chegou Depois - Parte 05


O táxi amarelo freou suavemente em frente à porta de aço enrolada do Bar do Abreu. O sol da tarde em Vitória castigava o asfalto, e o ventilador de teto do bar girava preguiçosamente, tentando espantar o calor e as moscas.

Dentro do carro, Patrick olhou para o taxímetro: R$ 58,00.

Ele tateou os bolsos da calça de linho (falsificada), fez uma expressão teatral de choque e estalou a língua.

— Putz! Jadson, meu camarada... — Patrick virou-se para o banco de trás com a melhor cara de pau do mundo. — Acredita que eu esqueci de trocar dinheiro no aeroporto? Tô só com umas notas altas em dólar aqui na carteira, e o cartão corporativo tá bloqueado por segurança da viagem.

Jadson franziu a testa, a mão já na carteira surrada de couro.

— Ué, mas eles aceitam Pix.

— É, mas... meu celular acabou de morrer. Bateria viciada, sabe como é iPhone — mentiu Patrick, com o celular com 80% de carga no bolso. — Faz essa gentileza? Quebra esse galho que assim que a gente descer, eu pego no caixa do bar com meu pai e te devolvo. Palavra de Abreu.

Jadson suspirou. Aquele dinheiro faria falta para pagar a primeira semana na pensão, mas ele não queria começar uma discussão na calçada.

— Tá bom, Patrick. Mas não esquece, hein.

Enquanto Jadson contava as notas suadas para pagar o motorista, Patrick já abria a porta do carro como se fosse dono da rua. Ele ajeitou os óculos escuros, estufou o peito e abriu os braços para o estabelecimento da família.

— A Águia pousou! — gritou Patrick, a voz ecoando pela calçada. — Cadê a recepção calorosa desse lugar?

Lá dentro, Jerônimo estava limpando um copo atrás do balcão. Ao ouvir a voz, ele largou o pano e o copo quase caiu.

— É ele! — Jerônimo deu a volta no balcão, mancando apressado, o sorriso abrindo de orelha a orelha. — Ana! Ana Lúcia! O Patrick chegou! O nosso investidor internacional chegou!

Ana Lúcia saiu da cozinha enxugando as mãos no avental, com um sorriso genuíno, mas os olhos atentos de mãe scaneando o filho de cima a baixo em busca de sinais de perigo (ou de magreza). Mariana, que estava sentada numa das mesas de plástico lixando as unhas e tomando uma Coca-Cola zero, apenas revirou os olhos, sem se levantar.

— Meu filho! — Ana Lúcia abraçou Patrick assim que ele pisou na calçada. — Que saudade, menino! Você tá tão... bronzeado! Isso é sol do Rio?

— Sol de Copacabana, mãe. Vida de executivo também tem praia — mentiu Patrick, beijando a testa dela e abraçando o pai. — Bênção, pai. O bar tá... rústico como sempre, né?

— Rústico nada, é tradição! — Jerônimo deu tapas fortes nas costas do filho. — E aí? Ficou rico? Trouxe os milhões pra aposentar seu velho?

Patrick riu, um riso nervoso.

— O capital tá investido, pai. Girando. Dinheiro parado é dinheiro morto. Mas a gente conversa sobre negócios depois. Cadê a Mari?

Ele olhou para a mesa onde Mariana continuava lixando a unha do dedo mindinho, sem demonstrar a menor emoção.

— Tô aqui, "Eike Batista" — disse ela, seca. — Veio visitar ou veio fugir da polícia?

— Que humor, hein, maninha? — Patrick foi até ela e bagunçou o cabelo perfeitamente escovado dela, o que a fez dar um tapa na mão dele. — Também senti sua falta.

Foi nesse momento que Jadson, carregando sua mochila pesada de lona e a mala de rodinhas do Patrick (que o folgado tinha deixado na calçada), se aproximou da entrada do bar. Ele estava suado, a camiseta cinza grudada nas costas, e parecia deslocado naquele reencontro familiar.

Mariana levantou os olhos da lixa e focou na figura parada na porta. Ela o mediu de cima a baixo: botas de trabalho gastas, jeans desbotado, camiseta básica e cara de quem pegou três ônibus. O "tipo" que ela definitivamente não seguia no Instagram.

— Ué — Mariana soltou, com aquele tom de deboche que só ela sabia fazer. — Contratou um carregador de malas agora, Patrick? Ou esse aí é seu segurança particular?

Jadson, que já estava irritado por ter pago o táxi sozinho e agora ter que carregar a mala do "bacana", fechou a cara. Ele largou a mala de rodinhas de Patrick no chão com um baque seco.

— Não sou carregador e nem segurança, moça — respondeu Jadson, a voz grave e séria. — Sou Jadson. E, pelo visto, sou o banco do seu irmão também, já que paguei a corrida sozinho.

O silêncio constrangedor pairou por dois segundos. Jerônimo franziu o cenho, confuso. Patrick, rápido no gatilho, interveio antes que a máscara caísse.

— Hahaha! Esse Jadson é uma figura! — Patrick passou o braço pelos ombros rígidos de Jadson. — Gente boa demais, conheci no ônibus. Ele tá brincando, eu vou acertar com ele agora. Pai, me vê cinquenta reais aí do caixa? Tô sem trocado pros dólares.

Jerônimo, ainda inebriado com a chegada do filho "bem-sucedido", nem questionou. Foi ao caixa e tirou uma nota de cinquenta.

— Tá aqui. Amigo do Patrick é amigo da casa. Quer uma cerveja, rapaz? — ofereceu Jerônimo.

Jadson pegou a nota de cinquenta da mão de Patrick (ignorando que o prejuízo fora de cinquenta e oito). Ele olhou para Mariana, que o encarava com uma sobrancelha arqueada, como se ele fosse uma obra de arte abstrata que ela não gostou.

— Não, obrigado, senhor — Jadson respondeu, mantendo a dignidade. — Tenho que achar a casa da Dona Mirtes antes que escureça.

— Ah, a Mirtes! — Ana Lúcia apontou. — É na rua de trás, casa azul com portão branco. Não tem erro.

Jadson assentiu para Ana e Jerônimo. Depois, virou-se para Mariana.

— Com licença... princesa — disse ele, carregado de uma ironia fina que fez Mariana estreitar os olhos.

Ele jogou a mochila nas costas e saiu caminhando pela calçada quente.

Mariana bufou, voltando a lixar a unha com força.

— "Princesa"... — ela resmungou para si mesma. — Que cara grosso. De onde você tirou esse ogro, Patrick?

— Longa história, mana — Patrick pegou a Coca-Cola dela e tomou um gole, aliviado por ter sobrevivido aos primeiros cinco minutos sem ser desmascarado. — Mas relaxa, acho que a gente não vai ver ele tão cedo.

Mal sabia Patrick que Jadson alugaria o quarto cuja janela dava exatamente para a vista dos fundos do sobrado dos Abreu.


 

sábado, 10 de dezembro de 2016

Meu Ebook na Amazon, Itunes e muito mais.

            Olá, leitores:

Gostaria de anunciar mais uma novidade sobre meu eBook "Os Informatizados".
Agora ele se encontra disponível em importantes lojas online como Amazon, Google Play, iTunes e muito mais.
E o melhor: saíram por um precinho mais em conta. Por exemplo, na Amazon ele está por R$ 11,00. Levando-se em conta que é um livro grande, e que em outros sites o mesmo sai em torno de R$ 40,00, aí está uma excelente oportunidade de economia!

Também consegui mudar a capa. O que vocês acham?


Clique na foto para ir direto à página da Amazon Kindle e faça boa leitura!

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Prof. Batata explica: A Curva de Laffer.

Regrinha básica de economia.

Estão todos espantados com a nova proeza da Argentina: o governo liberal conseguiu um aumento de 38,5% na arrecadação de impostos em janeiro passado, em comparação com janeiro de 2014, chegando ao total de 162,6 bilhões de pesos.

"Ué, mas o presidente diminuiu alguns impostos e cortou outros, como isso é possível? Brujería, como canta Chayanne e Shakira?"

Claro que não. Não é truque de Sim City, mágica do Snoopy nem poção da Fada Madrinha (Arrecadando Para Sempre). Macri não consultou a Mãe Diná que promete os impostos amados em sete dias.

Macri apenas fez o que MILHÕES de presidentes COM CÉREBRO fazem em período de crise. Todos fazem isso, lógico, exceto os países comunistas como Brasil, Cuba, Venezuela, etc.

Macri aplicou a regra da Curva de Laffer.

Talvez você recite Avril Lavigne agora: "What a hell is Laffer Curve?". Não se moleste, Batata explica.

Curva de Laffer é um estudo que estabelece um limite de quanto o Governo deve cobrar de impostos do povo. Esse estudo foi idealizado nos anos 70 por Arthur Laffer, economista que lecionou na Universidade de Chicago. A curva é ilustrada num gráfico bidimensional (lá vamos nós com matemática do Ensino Médio) onde o eixo x significa os impostos cobrados e eixo y significa o quanto que governo vai receber. Acertei, matemáticos?

Traduzindo o gráfico para a vida real: quanto mais impostos o governo cobrar, menos ele arrecadará. Isso porque o povo não é besta e não tem a menor vontade de pagar quantias absurdas de taxas e impostos, em especial quando o retorno prometido não vem (vide República das Bananas). A sonegação aumenta em níveis alarmantes. O Governo então tem duas soluções: colocar todos os sonegadores na cadeia e aumentar ou criar mais impostos ou diminuir a tributação para aliviar o bolso do trabalhador e aplicar os impostos onde realmente tem de ser aplicado.

Como disse, países de Primeiro Mundo onde os Governantes tem cérebro sempre, SEMPRE escolhem a última opção. Cortes de impostos, corte na burocracia, corte nos gastos públicos, localização e demissão em massa de funcionários-públicos-senhora-volte-aqui... eles metem a tesoura sem dó nem piedade. Foi o que aconteceu em Cingapura. Foi o que aconteceu na Nova Zelândia; onde empresas estatais funcionam como se fossem empresas privadas, se preocupando com lucro e prejuízo, onde não existe BNDES para "ajudar" empresários enrolados que estão sempre no vermelho. Foi o que aconteceu nos Estados Unidos, quando Jimmy Carter e depois Ronald Reagan (o ator?) fizeram uma faxina no país, diminuíram impostos e fizeram várias privatizações, o que alavancou seu crescimento. É o que acontece na Suécia, Finlândia, Dinamarca e Noruega, o que os fazem ficar SEMPRE no topo da lista dos melhores países do mundo para se viver. E por último, é o que Macri está fazendo na Argentina.

Por outro lado, Governos indisciplinados gastam mais do que arrecadam. Comumente, a primeira solução para ajudar a tirar o orçamento do vermelho é o aumento da carga tributária. O pensamento comum é o de que quanto maior for a carga tributária, maior será a receita do governo. Mas, conforme o vídeo abaixo, isso se resulta em um EPIC MEGA FAIL!


Resumindo: quanto mais a PresidentE pensar em aumentar nossa carga tributária e ressuscitar impostos que já foram abolidos, pior será para a nossa economia. A população não aguentará pagar tantos impostos sem ter o suficiente para viver. Chega a ser injusto e abusivo. É uma conta matemática tão simples, que muitos leigos entendem. Por que será que é tão difícil para socialistas entenderem?

Caso você ainda não conheça meu livro "Os Informatizados", dê um clique aqui e faça uma boa leitura.

Fontes: http://www.brasileirosnaargentina.com/2016/02/apos-reducao-de-impostos-arrecadacao.html
            Instituto Mises Brasil
            E o Google mesmo...

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Vamos a la Argentina?

Ainda bem que a Argentina continua assim...

Nunca mais faremos piadas de Argentinos! Eles é que estão rindo da cara do Brasil, com a nossa economia em frangalhos, com milhares de desempregados, com tanta coisa errada acontecendo e com pessoas que prometeram soluções persistirem no erro.

Em pouco mais de um mês o novo presidente Maurício Macri está tentando arrumar a bagunça que a outra de sobrenome impronunciável deixou. É claro que os fanáticos seguidores do antigo governo se molestaram com o fim da mamata, mas quem tem os pés no chão sente na pele as mudanças e agradece.

Inúmeros brasileiros que moram lá registram empolgados no Facebook as novidades. Os jornais estão eufóricos; quase todo dia que eu entro em algum portal jornalistico tem notícia da Argentina como destaque. O novo presidente:

  1. Mandou eliminar as barreiras alfandegárias, para estimular o comércio exterior. 
  2. Mandou reduzir impostos concernente à Indústria, Agricultura e Pecuária para gerar mais emprego e renda. Carros Audi já custam metade do preço lá.
  3. Está permitindo a entrada de capitais estrangeiros, o que estimula ainda mais as importações.
  4. Mais de 40 multinacionais planejam retornar a fazer negócios no país, resultando em mais empregos e renda.
  5. Aboliu o imposto de renda para salários de até 30 mil pesos e está reduzindo o peso nas costas da classe média.
  6. Chutou uma cacetada de funcionários públicos estilo "Senhora Volte Aqui" contratados à base de Q.I. Agora lá SÓ ENTRA QUEM PRESTOU CONCURSO PÚBLICO.
  7. Está fazendo uma faxina nos gastos públicos, cortando o desnecessário, vendeu os carros presidenciais e está utilizando e custeando seu automóvel pessoal.
  8. Decretou o fim da censura e da exagerada burocracia que controlava os meios de comunicação.
  9. Deu fim à versão Argentina da Lei Rounaet, que "financiava" artistas para falarem bem do governo anterior. Agora esses cantores terão de ganhar dinheiro pela vendas de discos e shows, como qualquer outro.
  10. Está reabrindo processos arquivados pelo governo Kirchner, como no caso da morte do promotor argentino que o denunciava
Fazendo as malas e partindo para a Argentina, hehehe.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Pinochet? Não era para ser Allende?

"Eu presto atenção no que eles dizem
Mas eles não dizem nada.
Fidel, Pinochet, tiram sarro de você
que não faz nada".

Assim começa a primeira música do primeiro álbum da banda gaúcha Engenheiros do Hawaii.

[caption id="attachment_106" align="aligncenter" width="225"]Primeiro álbum dos Engenheiros do Hawaii Primeiro álbum dos Engenheiros do Hawaii[/caption]

Escuto essa e outras músicas desde que me dava por gente, em especial na minha infância em José de Anchieta.

Mas eu cresci, fui pro Tubarão, entrei na Irmã Dulce e na oitava série aprendi que o Chile melhorou sua economia graças ao ditador Augusto Pinochet. EIN?

Ao mesmo tempo que aprendi que no caso de Fidel, o mesmo fez questão de destruir o seu pais com sua economia FAIL baseada no comunismo.

Por isso, a(s) pergunta(s) que não quer(em) calar: por que Gessinger elencou Fidel e Pinochet no mesmo verso? Como assim ele tirava sarro dos chilenos em 1986?

Não deveria ser Salvador Allende no lugar do outro?

Vamos comparar o governo dos dois citados para compreender melhor:

Salvador Allende assumiu como presidente em 1970 e adotou uma linha de governo totalmente comunista. Ele tinha até o apoio de Fidel Castro (coincidência?). Ele nacionalizou inúmeras empresas, tomou propriedades, elaborou inúmeros programas assistencialistas (tipo Bolsa Família) com a intenção de "distribuir renda" entre os menos favorecidos.

Mas, como sempre acontece, a economia do país entrou em colapso e as pessoas se desgostaram. Essa desorganização econômica levou ao caos, visto que com o passar do tempo, o governo ficou sem dinheiro para manter os programas que tinham sido implementados — qualquer semelhança com o Brasil atual não é mera coincidência –, a inflação chegou a subir 22% em um único mês por causa da desastrosa política monetária — tendo um máximo anual de 140%, e uma inflação anualizada de 1000% em Setembro de 1973 –, as reservas internacionais desapareceram e o país entrou em rápida recessão.

Com isso, ainda em 1973, aconteceu o golpe de Estado e Augusto Pinochet assumiu a presidência. Salvador Allende, deposto, se suicidou.

Nos primeiros anos de governo Pinochet pegou pesado com a oposição, eliminando qualquer grupo ou indivíduo que professasse o comunismo. Pessoas eram presas, torturadas e "desaparecidas". Ao mesmo tempo, o presidente fez o possível para reverter a economia chilena, e com a ajuda de economistas chilenos bem treinados trocaram a centralização estatal por princípio de livre-mercado.

O resultado foi só alegria: o Chile se tornou uma das economias mais prósperas da América Latina. Foi criado a capacidade de planejamento para a população e permitiu-se o surgimento de um novo ambiente de negócios no país. Investimentos estrangeiros voltaram conforme as propriedades eram desestatizadas e devolvidas a seus donos originais ou leiloadas no mercado. Desse modo, a pobreza foi reduzida, a mobilidade social aumentou e as bases da atual sociedade chilena foram construídas. Até 2010 o PIB per capita do Chile era maior que o do Brasil!

Por isso eu continuo a me perguntar: não era para ser Allende no lugar de Pinochet?

Aproveito o espaço para divulgar meu livro "Os Informatizados". Caso deseje fazer uma leitura, clique aqui e divirta-se!

Fontes:

Mercado Popular.